domingo, 28 de julho de 2013
Capitão de Infantaria Cardoso de Azevedo; Herói da Cruz de Guerra
Aníbal Francisco Gonçalves Cardoso de Azevedo, nasceu na Freguesia de Sacramento em Lisboa na zona do Chiado a 1 de Setembro de 1892. Era filho de Francisco Cardoso de Azevedo e de sua esposa Sr.ª D. Emilia Maria Gonçalves.
Em França aos 25 anos como Alferes do BI 14 de Viseu, irá tornar-se um dos mais destacados e respeitados oficiais ao serviço do CEP.
Imortalizou o seu nome nas páginas da História de Portugal quando já como Tenente, comandou o 1º Pelotão da 1ª Companhia do BI14 sob as ordens do Capitão Vale de Andrade, no Raid de 19 de Março de 1917 sobre as linhas Germânicas no Sector Português de Neuve Chapelle.
Relatam memórias que foi o primeiro Português a por as botas em trincheira inimiga naquela noite, e aquele que mais longe foi tendo atingido a linha de retaguarda inimiga.
Por actos de bravura semelhantes foi um dos militares Portugueses mais condecorados na Flandres tendo sido promovido a Capitão de Infantaria e posto como adido ao Estado-Maior do CEP.
O seu valor enquanto Militar não lhe foi só reconhecido pelos seus camaradas de trincheira. Da sua caderneta militar constam duas Medalhas da Cruz de Guerra de 2ª Classe, uma Medalha de Prata classe Valor Militar, Cruz de Cavaleiro da Ordem de Cristo com Palma, Medalha de Prata de Comportamento Exemplar, Medalha das Campanhas do Exército Português cm Legenda “França 17-18”,Medalha Inter-Aliada da Vitória, cavaleiro da Legião de Honra da Republica Francesa e por fim a muito prestigiada Military Cross (Cruz Militar) do Reino Unido. Todas estas condecorações podem ser vistas na magnifica photografia que acompanha este texto.
De notar a fita da Medalha da Cruz de Guerra; muito mais larga até que a fita de sete raios verdes. Poderá indicar uma fita não regulamentar desconhecida ou ser a fita da Croix de Guerre Francesa. Notar também as duas miniaturas de classe na mesma fita embora muito afastadas.
Desempenhou em Timor cargos de chefia militar e administrativa em Manatulo e Lantem e na Metrópole foi o segundo Comandante do Corpo de policia Cívica de Lisboa, antecessora da PSP.
Monárquico convicto não se coibiu de servir a Pátria Republicana quando ela mais precisou.
Virá a falecer aos 34 anos a 15 de Outubro de 1926.
Fica a promessa de aqui trazer os louvores das duas Medalhas da Cruz de Guerra.
Photografia em: http://www.geni.com/people/An%C3%ADbal-Francisco-Gon%C3%A7alves-Cardoso-de-Azevedo/6000000016227585287
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Furriel Pára-quedista João Caria Ramos; Heroi da Cruz de Guerra
Furriel Pára-quedista João Caria Ramos, Medalha da Cruz de Guerra de 3ª Classe; Pedrógão de São Pedro, Penamacor 15 de Outubro de 1942/ Angola 10 de Julho de 1968.
Foi como voluntário que aos 19 anos a 26 de Outubro de 1961 incorporou o Regimento de Caçadores Paraquedistas em Tancos, tendo merecido o Brevet nº 1793 após ter frequentado o 19ª curso de pára-quedismo militar.
Em 1963 tira o curso de Primeiros Socorros e parte em Junho desse ano para a Província Ultramarina de Angola para cumprir a sua primeira comissão de serviço junto do 21º Batalhão de Caçadores Paraquedistas. A 18 de Novembro de 1965 é promovido a Furriel paraquedista.
A 29 de Novembro de 1967, ano em que tirou o Curso de Transporte Aéreo e Lançamento de Material, é recolocado no BCP 21, unidade na qual cumpriu a sua primeira comissão de serviço.
Aos 25 anos é morto em combate na Província de Angola a 10 de Julho de 1968.
“Por Portaria De 21 de Outubro de 1968
Condecorado com a Medalha da Cruz de Guerra de 3ª Classe, a titulo póstumo o furriel pára-quedista João Caria Ramos, ao tempo do CBP 21 por ter sido considerado nas condições expressas nos art.ªs 9º e 10º e seus parágrafos 1º e 4º do Regulamento da Medalha Militar aprovado pelo Decreto 33667 de 28MAI46.”
“Ordem à Aeronáutica nº32
3ª série 20 de Novembro de 1968
Considerado como dado pelo SEA, o louvor a titulo póstumo concedido ao furriel paraq. João Caria Ramos, ao tempo do BCP 21, publicado na OS nº100 de 19AGO68, do C.º 2.ª RA.
Pelo valor e serenidade que sempre demonstrou em missões de combate no comando da sua secção.
A profundidade dos seus conhecimentos militares e o exemplo permanente foram sempre motivos de admiração.
Na ultima missão em que tomou parte, pois nela pereceria quando seguia à frente da sua secção, revelou, além daquelas qualidades, astuciosos e sensatos processos de combate que permitiram à rede de emboscada, que esteve a seu cargo, um alto rendimento capturando alguns elementos adversos.
O furriel para-qedista Caria Ramos doou a vida pela pátria e nós nunca esqueceremos o seu sacrifício”
Em Março de 2011 a Junta de Freguesia de Vale da Senhora da Póvoa em Penamacor prestou publica homenagem aos filhos da terra que tombaram em combate na defesa de Portugal. João Caria Ramos não foi, nem será esquecido pelas suas gentes, pela sua terra ou pela sua Pátria.
Nunca por vencido se conheceu!
O 21º Batalhão de Caçadores Pára-quedistas (BCP21) criado pela Portaria nº18464 de 8MAI61 é o primeiro Batalhão de Caçadores Pára-quedistas a ser enviado para a Africa Portuguesa.
Do seu estandarte pende a Medalha de Valor Militar grau Ouro com Palma, e por ele deram a vida 47 Portugueses Imortais.
Do seu brilhante role de feitos e virtudes cívico-militares contamos quase uma centena de Medalhas da Cruz de Guerra nas suas quatro classes.
Pelos que caíram em nome de Portugal, pelos que mereceram a Medalha da Cruz de Guerra, e por todos quantos palmilharam Africa desde o século XVI, escolhemos João e a sua Cruz de Guerra de 3ª Classe para que nos lembrarmos dos feitos do BCP21.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Uma peça curiosa; medalha da Cruz de Guerra 1946/49
Bem sabemos como se faz uma condecoração; é gravado um cunho de Aço em duas partes, anverso e reverso que encaixados por um balancé e batendo sobre metal mais macio criam uma medalha ou condecoração. De forma simples podemos descrever o processo como sendo o mesmo da produção de moeda.
O cunho que deu origem a esta específica variante da MDG (em baixo à direita) foi gravado há largas décadas por um gravador da Casa da Moeda para uma famosa casa de condecorações em Lisboa. Sobre isto e sobre a magnifica qualidade da escultura e gravação do original não temos qualquer duvida.
O intrigante nesta peça é o facto de ter sido feita não por cunhagem mas por fundição (em baixo à esquerda), á qual por manifesta má qualidade dos detalhes resultantes do processo, se soldou um escudo nacional de maior detalhe mas em muito, diferente do desenho original.
E é aqui que se levantam muitas e sérias duvidas sobre esta condecoração.
Conhecemos agraciados com a MCG igual a apresentada, portanto já na década de 60/70/80 estas peças circulavam, por vezes sem a adição do escudo.
Conhecemos também, noutras colecções outros exemplares iguais (com e sem escudo) variando o metal em que foram fundidas e a classe que representam.
Descartamos por isso a hipótese de cópia moderna. Mas não a hipótese de cópia antiga.
Sem qualquer prova disto, pensei por breves instantes, tratar-se de uma produção local (Ultramarina) partindo de uma peça original, para condecorar mais militares dos que os previstos a quando da encomenda de condecorações feita à Metrópole.
Poderá esta ser ainda uma cópia da original, feita por uma casa de revenda de condecorações que não tendo um modelo gravado da MCG de 46/49, optou por copiar uma da concorrência.
Nos vários modelos dela conhecida, a fita raramente é igual e as miniaturas de classe variam por quase todos os modelos que delas conhecemos. O que pode indicar que foram montadas com sobras e de forma apressada, dando, em minha opinião, alguma credibilidade à ideia de produção local.
Uma bonita e interessante Medalha da Cruz de Guerra de 3ª classe 46/49 que foi a leilão em Nova-Iorque num lote de proveniência Alemã.
Em aliança com um bom Amigo, lá a conseguimos resgatar e trazê-la para donde nunca devia ter saído, Portugal. Para além desta Cruz de Guerra destacava-se uma belíssima Medalha de Valor Militar do mesmo modelo 46/49, entre outras, sem que tenhamos conseguido apurar se pertenceram ao mesmo agraciado. Mas o mais consciente e realista, será por certo afirmar que não têm qualquer ligação entre si.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
95 anos da Batalha de La Lys.
Aos homens que há precisamente 95 anos, nesta mesma madrugada descobriam o significado da palavra coragem.
Aos Portugueses mortos, mutilados, capturados, e vitoriosos da Batalhha de La Lys.
Viva Portugal!
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Conjunto de Condecorações de Um Veterano de La Lys
Este conjunto de condecorações da Grande Guerra é o mais
querido que tenho. Agrada-me pelo que nos diz, agrada-me pela sua estética,
agrada-me pelo mistério do que não me conta mas, agrada-me sobretudo, claro,
pela sua Cruz de Guerra.
A sua proveniência é certa, um bom amigo fez-mo chegar intacto, apontando-me, num pequeno papel, nome e família para identificação e futuro contacto. Portanto, um bom conjunto. Portanto, cuidadosamente guardado por mim, para os que vêm depois de mim.
- O conteúdo:
Uma bela Medalha da Cruz de Guerra de 1ª Classe, patine uniforme e intocada, fita de cinco
raios verdes tendo como única falha a falta de coloração original nos louros, tendo perdido algum do doirado original deixando denotar-se algum brilho da prata em que foram cunhados.A sua proveniência é certa, um bom amigo fez-mo chegar intacto, apontando-me, num pequeno papel, nome e família para identificação e futuro contacto. Portanto, um bom conjunto. Portanto, cuidadosamente guardado por mim, para os que vêm depois de mim.
- O conteúdo:
Uma outra bela medalha, a das Campanhas do Exército Português. Em prata, com Barra de Feridos na Batalha de La Lys e Fivela da Campanha “França 1917-1918” no mesmo metal.
Por fim, a Medalha Portuguesa Interaliada da Victória. Em
Bronze, com a fivela correcta e legislada, uma fita exemplarmente conservada com particularidade de ter mais de 30mm (à Portuguesa) mas, menos de 37mm (à
Francesa). É apenas de lamentar as várias manchas de oxidação no bronze do
pendente.
As três unidas por uma barrete de esferas em prata, cortada
à medida certa para as diferentes larguras de cada medalha, incluindo barras,
fivelas e diferenças de largura nas fitas.
- A forma;
Legislativamente à data da instituição de qualquer destas medalhas, elas não poderiam viver em conjunto. A Medalha da Cruz de Guerra e a Medalha Interaliada da Vitória sim, mas a Medalha das Campanhas, irmã de decreto da MCG, era posta do lado direito do peito, como aqui e aqui é referido.
Sabendo tratar-se de um conjunto de um combatente, à medalha da Vitória falta uma pequena estrela de prata, como sinal que, a partir de 10 de Julho de 1920, com o decreto nº 6:756, faz a distinção entre os condecorados militares (que recebem esta estrela) e os condecorados empregados civis da Armada e do Exército (que usariam da medalha sem estrela).
Assim temos duas incongruências neste conjunto, a Medalha das Campanhas, que não deveria aqui figurar, e a falta da estrela na Medalha da Vitória.
Bom, as razões chegam-nos com algum conhecimento da história do homem que as mereceu. Alferes do Exército partiu para França ainda muito novo e passou pela provação que foi a noite de 9 de Abrilde 1918. Regressado a Lisboa, em 1919, retirou-se da vida militar pouco tempo depois. Deduzi que fosse Oficial Miliciano. Homem de estudos e posses seguiu carreira longe dos quartéis no comércio da Capital durante a década de 20.
Por ter ainda feito uso destas condecorações até tarde, embora muito poucas vezes, dado o bom estado em que me chegaram (embora também lhes tenha feito alguma limpeza e pequenos restauros quase desnecessários) optou por pô-las em conjunto, curiosamente tendo respeitado legislação que viria apenas décadas mais tarde, não tendo recebido também ou tendo-se perdido no tempo a já referida estrela de prata.
A batalha de La Lys percegue-me, e bem pela 2ª vez. Sempre fui um apaixonado pela história de Portugal, mas o capitulo de 1914/ 1919 tinha, até aos meus encontros com as Cruzes de 1917, passado completamente ao lado do meu conhecimento e entendimento do esforço Português no mundo.
Há qualquer coisa que me toma o coração de assalto quando toco numa das duas barras de La Lys que tenho. Entre as Cruzes de 1917 que tenho, duvido que me apareça outra igada a esta noite dramática e gloriosa da nossa História, no entanto resta-me o consolo de saber que na esmagadora maioria das peças que aqui trago à um esforço calado pelo tempo, mas não desprezado ou esquecido, que contrbuiu para a continuação de Portugal.
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Para quem gosta destas coisas, os conjuntos de condecorações podem ser um verdadeiro encanto ou um verdadeiro pesadelo. Muitas vezes, não sabendo a sua proveniência ou sabendo que nos parecem demasiado bons para serem verdade a reacção natural é rejeitá-los como legítimos.
Nas outras, onde temos um acervo documentado ou palavras de compromisso de quem nos passa as coisas, tornam-se mais fáceis quanto à aceitação da sua legitimidade.
Em Portugal, o cuidado com a (H)história, com o grande e com o pequeno Património é tanto como o cuidado de um Elefante numa loja de cristais… No caso das condecorações a história não é diferente. As que nos chegam são quase sempre individuais, desfeitas das suas irmãs de glória, porque, quem as vende pensa lucrar mais com Elas separadas do que com Elas num conjunto.
Pois que se enganam. Perdem os que o fazem, perde a História e perde o Futuro.
- A forma;
Legislativamente à data da instituição de qualquer destas medalhas, elas não poderiam viver em conjunto. A Medalha da Cruz de Guerra e a Medalha Interaliada da Vitória sim, mas a Medalha das Campanhas, irmã de decreto da MCG, era posta do lado direito do peito, como aqui e aqui é referido.
Sabendo tratar-se de um conjunto de um combatente, à medalha da Vitória falta uma pequena estrela de prata, como sinal que, a partir de 10 de Julho de 1920, com o decreto nº 6:756, faz a distinção entre os condecorados militares (que recebem esta estrela) e os condecorados empregados civis da Armada e do Exército (que usariam da medalha sem estrela).
Assim temos duas incongruências neste conjunto, a Medalha das Campanhas, que não deveria aqui figurar, e a falta da estrela na Medalha da Vitória.
Bom, as razões chegam-nos com algum conhecimento da história do homem que as mereceu. Alferes do Exército partiu para França ainda muito novo e passou pela provação que foi a noite de 9 de Abrilde 1918. Regressado a Lisboa, em 1919, retirou-se da vida militar pouco tempo depois. Deduzi que fosse Oficial Miliciano. Homem de estudos e posses seguiu carreira longe dos quartéis no comércio da Capital durante a década de 20.
Por ter ainda feito uso destas condecorações até tarde, embora muito poucas vezes, dado o bom estado em que me chegaram (embora também lhes tenha feito alguma limpeza e pequenos restauros quase desnecessários) optou por pô-las em conjunto, curiosamente tendo respeitado legislação que viria apenas décadas mais tarde, não tendo recebido também ou tendo-se perdido no tempo a já referida estrela de prata.
A batalha de La Lys percegue-me, e bem pela 2ª vez. Sempre fui um apaixonado pela história de Portugal, mas o capitulo de 1914/ 1919 tinha, até aos meus encontros com as Cruzes de 1917, passado completamente ao lado do meu conhecimento e entendimento do esforço Português no mundo.
Há qualquer coisa que me toma o coração de assalto quando toco numa das duas barras de La Lys que tenho. Entre as Cruzes de 1917 que tenho, duvido que me apareça outra igada a esta noite dramática e gloriosa da nossa História, no entanto resta-me o consolo de saber que na esmagadora maioria das peças que aqui trago à um esforço calado pelo tempo, mas não desprezado ou esquecido, que contrbuiu para a continuação de Portugal.
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Para quem gosta destas coisas, os conjuntos de condecorações podem ser um verdadeiro encanto ou um verdadeiro pesadelo. Muitas vezes, não sabendo a sua proveniência ou sabendo que nos parecem demasiado bons para serem verdade a reacção natural é rejeitá-los como legítimos.
Nas outras, onde temos um acervo documentado ou palavras de compromisso de quem nos passa as coisas, tornam-se mais fáceis quanto à aceitação da sua legitimidade.
Em Portugal, o cuidado com a (H)história, com o grande e com o pequeno Património é tanto como o cuidado de um Elefante numa loja de cristais… No caso das condecorações a história não é diferente. As que nos chegam são quase sempre individuais, desfeitas das suas irmãs de glória, porque, quem as vende pensa lucrar mais com Elas separadas do que com Elas num conjunto.
Pois que se enganam. Perdem os que o fazem, perde a História e perde o Futuro.
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
A Medalha aos Precursores da Républica na Cidade do Porto e a Revolta do 31 de Janeiro de 1891.
A 31 de Janeiro de 1891, os homens de Infantaria 10,
Infantaria 18, Caçadores 9 e uma brigada da Guarda Fiscal sublevaram-se na Invicta
cidade do Porto contra o estado a que o Estado tinha então chegado.
A fome e a miséria eram o quotidiano não do Porto mas de Portugal, as potências estrangeiras controlavam-nos o comércio e as principais indústrias, a bancarrota era uma ameaça constante e uma realidade castradora…
O resto já se sabe. A Revolução Republicana no Porto fracassou, mas ficou para a história como um exemplo de desafio, coragem e patriotismo. Naquele dia a Republica viu em Portugal a sua primeira hora de uma longa noite que tarda em dar lugar ao quente sol da manhã que a 31 de Janeiro e a 5 de Outubro se esperou raiar sobre Portugal.
Foi há 122 anos.
Já repararam por certo que não é uma Medalha da Cruz de Guerra, e que portanto é mais um desvio ao ponto central de estudo que aqui tento trazer. Não obstante é uma condecoração que com ela partilha muitas características phaleristicas comuns.
Ambas nascem para ser outorgadas a militares e civis que pela sua bravura se destacaram em determinado evento glorificante para a Republica e para Portugal, ambas cunhadas em bronze/liga de cobre, ambas partilham as novas cores nacionais na fita de suspensão, ambas carregam o busto da Republica voltado à direita no Anverso, ambas carregam a data de instituição. As comparações são naturalmente feitas com o modelo da MCG 1917.
Esta é a Medalha Comemorativa da Revolução de 31 de Janeiro de 1891, instituída pelo Decreto nº 7.260, de 27 de Janeiro de 1921, publicado no Diário do Governo nº19 na 1ª Série e na Ordem do Exercito nº 1 também na sua 1ª Série ambos no mesmo ano do decreto.
“Sendo de inteira justiça a criação de uma medalha comemorativa da Revolução de 31 de Janeiro de 1891, para ser usada pelos sobreviventes desse movimento, verdadeiros percursores da República, como penhor do verdadeiro e inolvidável apreço dos serviços prestados por esses mesmos combatentes, que, pelos seus actos de dedicado arrojo e espírito de sacrifício, tem jus à gratidão da Pátria e da República:
A fome e a miséria eram o quotidiano não do Porto mas de Portugal, as potências estrangeiras controlavam-nos o comércio e as principais indústrias, a bancarrota era uma ameaça constante e uma realidade castradora…
O resto já se sabe. A Revolução Republicana no Porto fracassou, mas ficou para a história como um exemplo de desafio, coragem e patriotismo. Naquele dia a Republica viu em Portugal a sua primeira hora de uma longa noite que tarda em dar lugar ao quente sol da manhã que a 31 de Janeiro e a 5 de Outubro se esperou raiar sobre Portugal.
Foi há 122 anos.
Já repararam por certo que não é uma Medalha da Cruz de Guerra, e que portanto é mais um desvio ao ponto central de estudo que aqui tento trazer. Não obstante é uma condecoração que com ela partilha muitas características phaleristicas comuns.
Ambas nascem para ser outorgadas a militares e civis que pela sua bravura se destacaram em determinado evento glorificante para a Republica e para Portugal, ambas cunhadas em bronze/liga de cobre, ambas partilham as novas cores nacionais na fita de suspensão, ambas carregam o busto da Republica voltado à direita no Anverso, ambas carregam a data de instituição. As comparações são naturalmente feitas com o modelo da MCG 1917.
Esta é a Medalha Comemorativa da Revolução de 31 de Janeiro de 1891, instituída pelo Decreto nº 7.260, de 27 de Janeiro de 1921, publicado no Diário do Governo nº19 na 1ª Série e na Ordem do Exercito nº 1 também na sua 1ª Série ambos no mesmo ano do decreto.
“Sendo de inteira justiça a criação de uma medalha comemorativa da Revolução de 31 de Janeiro de 1891, para ser usada pelos sobreviventes desse movimento, verdadeiros percursores da República, como penhor do verdadeiro e inolvidável apreço dos serviços prestados por esses mesmos combatentes, que, pelos seus actos de dedicado arrojo e espírito de sacrifício, tem jus à gratidão da Pátria e da República:
Hei por
bem decretar, sob proposta do Ministro da Guerra, o seguinte:
Artigo
1º É criada uma Medalha comemorativa da Revolução de 31 de Janeiro de 1891 na
Cidade do Porto, e destinada tanto aos militares como a indivíduos da classe
civil que tomaram parte nesse movimento.
Artigo
2º A medalha será de bronze, tendo numa das faces a efígie da República e as
datas de 1891-1921 e na outra a legenda AOS PRECURSORES DA REPÚBLICA NA CIDADE
DO PORTO.
SS
único. A medalha será usada no lado direito do peito, pendente de fita de seda
bipartida verde e vermelha, sendo a fivela substituída por uma passadeira do
mesmo metal em forma de palma de louros com as datas referidas neste artigo.
Com o trajo civil poder-se há fazer uso de uma roseta de 16 mm de diâmetro da
cor da fita, tendo sobreposta uma palma igual à já descrita e de menores
dimensões.
O Ministro da Guerra o faça publicar – Paços do Governo da
República, 27 de Janeiro de 1921. – ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA – Álvaro Xavier de
Castro”.
Assim por este Decreto nasce 30 anos depois do levantamento
militar do Porto a medalha que lembra não só este momento mas também e principalmente
os que nela se fizeram notar.
Até 1926, foram outorgadas a veteranos civis e militares 177 condecorações.
Além destes, foram ainda concedidas a titulo colectivo duas medalhas, uma à Cidade do Porto e outra à 3ª Brigada da Guarda Fiscal que na Proclamação da Republica de 1891 se fez notar.
Desta última, transcrevo o diploma que a confere:
"Decreto de 14 de Janeiro de 1922:
Tendo em consideração os actos de arrojada decisão e inexcedível fé republicana com que no Batalhão n.º 3 da Guarda Fiscal se assinalou o movimento revolucionário de 31 de Janeiro de 1891:
Até 1926, foram outorgadas a veteranos civis e militares 177 condecorações.
Além destes, foram ainda concedidas a titulo colectivo duas medalhas, uma à Cidade do Porto e outra à 3ª Brigada da Guarda Fiscal que na Proclamação da Republica de 1891 se fez notar.
Desta última, transcrevo o diploma que a confere:
"Decreto de 14 de Janeiro de 1922:
Tendo em consideração os actos de arrojada decisão e inexcedível fé republicana com que no Batalhão n.º 3 da Guarda Fiscal se assinalou o movimento revolucionário de 31 de Janeiro de 1891:
Hei por bem decretar, sob proposta do Ministro da Guerra,
que seja conferida ao Batalhão n.º 3 da guarda fiscal a medalha de bronze,
comemorativa da revolução de 31 de Janeiro de 1891, criada pelo decreto n.º 7
260, de 27 de Janeiro de 1921.
António José de
Almeida – Fernando Augusto Freiria (Ministro da Guerra). ”
Fica então aqui a minha lembrança deste dia e destes homens e mulheres, conhecidos ou anónimos, que com sangue, armas e palavras fizeram o sonho e a história de Portugal e dos Portugueses.
-Melo, Olímpio de; 1922; Ordens Militares Portuguesas e outras condecorações – Lisboa; Imprensa Nacional de Lisboa.
-Estrela, Paulo Jorge; 2010; As Revoluções Republicanas na Faleristica Nacional – Lusíada Série II, nº7; Lisboa; Universidade Lusíada Editora.
Fica então aqui a minha lembrança deste dia e destes homens e mulheres, conhecidos ou anónimos, que com sangue, armas e palavras fizeram o sonho e a história de Portugal e dos Portugueses.
-Melo, Olímpio de; 1922; Ordens Militares Portuguesas e outras condecorações – Lisboa; Imprensa Nacional de Lisboa.
-Estrela, Paulo Jorge; 2010; As Revoluções Republicanas na Faleristica Nacional – Lusíada Série II, nº7; Lisboa; Universidade Lusíada Editora.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Major-General Jaime Neves, Cruz de Guerra de 1ª Classe
.....
Foi hoje a enterrar o Major-General Jaime Neves.
Jaime Alberto Gonçalves das Neves, 1936/2013, faleceu neste passado fim-de-semana no Hospital Militar da Estrela, vítima de complicações respiratórias.
Por ser um oficial de grande prestigio junto daqueles que com ele serviram e, por ter sido condecorado com a Medalha da Cruz de Guerra, é-lhe neste Blog devida uma nota de lembrança.
Em baixo:
Insígnia da Medalha da Cruz de Guerra de 1949, 1ª classe, igual à que nesta fotografia ostenta o então capitão Jaime Neves.
Não em prata dourada como preferia a lei que a regulava, mas sim em latão ou cobre dourado, faz uso de uma bonita miniatura de classe, essa sim em prata dourada, muito ao estilo da de 1917.
Quando a comprei, a fita estava rasgada, suja e presa por quatro ou cinco linhas de fio. Decidi substitui-la.
.

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