quinta-feira, 28 de novembro de 2013
"A Medalha Militar 150 anos (1863-2013)"
Não foi descuido, esquecimento ou uma acção deliberada da minha parte não ter feito aqui nota e publicidade sobre a belíssima exposição que assinalou o 150º aniversário da Medalha Militar.
Em verdade, fui forçado a “pendurar” uma série de esboços para alguns artigos, entre os quais esta pequena “noticia”. Todos eles vitimas de um problema informático que durou mais do que o previsto.
Aos leitores desta página, um pedido de compreensão pelo sucedido.
No ano em que se comemoram os 150 anos sobre a fundação da Medalha Militar e do Museu de Marinha por El Rey D. Luiz, a Armada Portuguesa em profícua aliança com a Academia Faleristica de Portugal, ergueu uma exposição com peças de grande valor e significado histórico, vindas das reservas do Museu de Marinha.
A exposição foi inaugurada a 1 de Outubro pelo Sr. Almirante Bossa Dionísio e pelo Comissário Cientifico da exposição o Académico Paulo Estrela. Ambos proferiram uma breve alocução à efeméride, sendo a ultima de grande contributo pedagógico para o entendimento do conceito cientifico de Faleristica, e do seu impacto na História e Cultura.
A noite da inauguração, que contou com largas dezenas de convidados ilustres e anónimos, entre os quais dezena e meia de Académicos da AFP, terminou com um concerto sinfónico pela Banda da Armada.
A Marinha, acolheu de forma fraternal todos aqueles que durante um mês quiseram e puderam visitar o pavilhão central da Cordoaria Nacional, onde estiveram cerca de uma dezena de vitrines com uma mostra de elevado valor, mérito e reconhecimento da presença de Portugal no Mar.
Por fim, dizer que é obvia a relação entre esta exposição e a Medalha da Cruz de Guerra.
Em primeiro lugar porque a MCG é actualmente parte integrante da classe “Medalha Militar”, depois porque em dois dos espólios estão presentes Medalhas da Cruz De Guerra; no do Sr. Capitão-de-Mar-e-Guerra José Eduardo de Carvalho Crato, nota para a presença do seu belo Diploma; e no do Sr. 1.º Tenente António Luis Gouveia Prestes Salgueiro, nota para a urgente necessidade de restauro da sua insígnia de 1ª classe.
Ambas as Medalhas são do modelo de 1917.
Tendo sido ultrapassado pelo tempo, deixo aqui dois links de grande interesse para quem queira “visitar" a exposição, finda a possibilidade de o fazer fisicamente;
-O primeiro é reservado ao sitio da AFP e da excelente nota que foi dada sobre esta exposição:
http://www.acd-faleristica.com/archives/3629
-O segundo, é para o meritório trabalho do Blog Reserva Naval, sitio da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, onde é dada uma excelente reportagem fotográfica das peças em exposição:
http://reservanaval.blogspot.pt/2013/11/exposicao-medalha-militar-150-anos-1863.html
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Medalha da Cruz de Guerra de 1917, 3ª Classe
A peça que aqui vos deixo hoje é à semelhança da última, uma Medalha da Cruz de Guerra de 3ª Classe.
Difere da ultima em primeiro lugar por se tratar do modelo fundador que a antecedeu em 30 anos, e por consequência mostrar todas as diferenças e manutenções legislativas, estéticas, politicas e culturais entre o modelo de 1916 e 1946.
1916/1917- Um modelo de desenho fino, mais amplo e leve, num só metal de cunho para todas as classes, diferenciando apenas o metal da miniatura de classe. Em semelhança com a maioria das condecorações nacionais tinha um listel circular com inscrições várias; no caso : “República Portuguesa 1917”.
1946/1949- Um desenho austero e quase sempre descuidado nos detalhes, de linhas grossas, estética mais Imperial e menos Republicana, mais pesado, sem qualquer listel indicativo de data ou nacionalidade. Este modelo era cunhado em vários metais (iguais aos das miniaturas) consoante a classe e não na habitual liga de bronze do modelo anterior.
Seguramente um desenho menos condicionado pela Croix de Guerre Francesa e pensado à luz do todo Nacional Pluricontinental e não na legitimação da Jovem Republica inserida no contexto da Grande Guerra de 14/18.
Manteve-se, como vimos no último texto com uma peça da minha colecção, a fita rubra raiada de verde e a muito Portuguesa cruz pátea templária.
A peça em exposição;
Uma Cruz de Guerra de 1917 igual à maioria dos modelos que aqui tenho trazido, uma patina um pouco disforme e gasta mas conservando ainda a sua tonalidade chocolate original, uma fita que embora muito descuidada e fustigada pelo tempo, detém a particularidade de ser inferior à altura que a cruz pendente, encorpando uma forma quase triangular.
Esta forma curta e triangular da fita constituía a habitual maneira de usar os primeiros exemplares atribuídos da MCG.
A miniatura de classe parece-me à vista desarmada uma peça de prata sólida, apesar de na digitalização mostrar um ar meio cobreado. Não na mais comum forma de folha simples, esta miniatura como outra que aqui já trouxe com a MCG de 2ª Classe de La Lys, foi cunhada em relevo detalhado.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
O Marechal Gomes da Costa e as "suas" Medalhas da Cruz de Guerra
Embora o titulo possa induzir o leitor em erro a uma
primeira vista, convém esclarecer de imediato que não vou, pelo menos neste
texto, falar da Cruz de Guerra de 1º Classe que ostenta o Sr. Marechal Gomes da
Costa.
Vou antes partilhar um texto das suas memórias onde elogiando a valentia, coragem e humanidade do Soldado Português expedicionário à Flandres, fala não daquela Cruz de Guerra que mereceu, mas daquelas que deu a merecer aos mais valorosos filhos da Pátria Portuguesa.
Assim escreveu:
"Quando hoje se ouve dizer, - os soldados são excelentes,- não é isto um simples cumprimento: são-o realmente. Há neles alguma coisa grande e de belo sob a sua casca rude; a sua delicadeza é toda interior. Pertencendo à categoria dos "incultos, rudes, mal educados, sem preparação, sem maneiras", é nesta vida selvagem da trincheira que mostram o que são e o que valem; - verdadeiros tesouros sem baixeza nem crueldade.
Espreitam o alemão pela ranhura de mira da alça e metem-lhe a bala na cabeça, se o "boche" cai em a meter na sua linha de mira; mas se um "boche" que o fere, levanta em seguida, ferido também, as mãos, agarra nele, leva-o à ambulância, cura-o, dá-lhe o seu pão, dá-lhe o seu vinho, dá-lhe a sua camisa.
Vou antes partilhar um texto das suas memórias onde elogiando a valentia, coragem e humanidade do Soldado Português expedicionário à Flandres, fala não daquela Cruz de Guerra que mereceu, mas daquelas que deu a merecer aos mais valorosos filhos da Pátria Portuguesa.
Assim escreveu:
"Quando hoje se ouve dizer, - os soldados são excelentes,- não é isto um simples cumprimento: são-o realmente. Há neles alguma coisa grande e de belo sob a sua casca rude; a sua delicadeza é toda interior. Pertencendo à categoria dos "incultos, rudes, mal educados, sem preparação, sem maneiras", é nesta vida selvagem da trincheira que mostram o que são e o que valem; - verdadeiros tesouros sem baixeza nem crueldade.
Espreitam o alemão pela ranhura de mira da alça e metem-lhe a bala na cabeça, se o "boche" cai em a meter na sua linha de mira; mas se um "boche" que o fere, levanta em seguida, ferido também, as mãos, agarra nele, leva-o à ambulância, cura-o, dá-lhe o seu pão, dá-lhe o seu vinho, dá-lhe a sua camisa.
Devemos todos inclinar-nos cheios de respeito e cheios de
admiração diante deste pobre
"gambúzio", que meteram num navio com uma arma às costas, sem
lhe dizerem para onde ia; que colocaram numa trincheira diante do
"boche", sem lhe dizerem por que se batia; que passou meses queimado
pelo sol do fogo, enregelado pela neve, atascado em lama, encharcado, tiritando
com frio, encolhido num buraco enquanto as granadas lhe estoiram em redor;
carregando à baioneta quando o "boche" avança e que, com uma perna
partida, ou o crânio amachucado por uma bala, estendido no catre da ambulância,
ao ver-nos, tinha uma alegria imensa no olhar, murmurando: O nosso giniral! Aí vem o nosso giniral! Oh
meu giniral, agora ganhei a Cruz de Guerra? Pois não?
E nunca me há de esquecer a impressão que um destes pobres seres me causou, quando, ao pregar-lhe a Cruz na camisa da ambulância que vestia, o pobre, não podendo mexer os braços, ambos partidos, estendeu a cabeça e me beijou as mãos...
E nunca me há de esquecer a impressão que um destes pobres seres me causou, quando, ao pregar-lhe a Cruz na camisa da ambulância que vestia, o pobre, não podendo mexer os braços, ambos partidos, estendeu a cabeça e me beijou as mãos...
E outro, muito pequeno, a quem ao dar-lhe o abraço que era
costume meu dar àqueles que recebiam a Cruz de Guerra, me abraçou pela cintura
e ali ficou preso numa convulsão...
São verdadeiros tesouros, que não podemos deixar de estimar e admirar depois de com eles viver na guerra. E é por isso que natural e instintivamente, os que como eu compreendem põem na continência, com que à sua correspondem, um respeito real e sincero, que está fora dos nossos hábitos.
E há resmungões no meio de isto tudo, porque resmungar é uma paixão do soldado, ou por outra uma distracção, quando tudo corre bem! Pelo contrário, quando tudo vai mal, ninguém resmunga.
Ao terminarem um parapeito, com toda a perfeição, a terra varrida à vassoura, os taludes bem direitos, as arestas bem vivas, vem um morteiro pesado e esmaga tudo.
São verdadeiros tesouros, que não podemos deixar de estimar e admirar depois de com eles viver na guerra. E é por isso que natural e instintivamente, os que como eu compreendem põem na continência, com que à sua correspondem, um respeito real e sincero, que está fora dos nossos hábitos.
E há resmungões no meio de isto tudo, porque resmungar é uma paixão do soldado, ou por outra uma distracção, quando tudo corre bem! Pelo contrário, quando tudo vai mal, ninguém resmunga.
Ao terminarem um parapeito, com toda a perfeição, a terra varrida à vassoura, os taludes bem direitos, as arestas bem vivas, vem um morteiro pesado e esmaga tudo.
O bom do "gambúzio" olha para a sua obra de oito
dias destruída, e resmunga: Ora, responde outro, isto é bom para não
engordarmos muito.
A noite é escura, o frio aperta, os homens estão cobertos de
lama gelada, o seu dia de trabalho destruiu-o o "boche" num minuto, é
preciso recomeçá-lo; e, sem mau humor, recomeçam-no.
Era preciso uma pena fácil e elegante para mostrar a todo o
Portugal quanto valem os nossos soldados e quanto merecem que por ele façam.
A morte, encaram-na de frente e rindo, e em cada minuto da vida de trincheira praticam actos de generosidade, desprendimento e heroísmo espontâneo, que na vida civil estabeleceriam reputação."
A imagem que abre este texto mostra o Sr. Marechal a uma secretária de despacho depois do Golpe de 17 de Junho de 1926, em uniforme de campanha, ostentando apenas e como era de sua maneira e costume e também de legislação, a Cruz de Guerra Portuguesa e curiosamente, pela mesma medida uma vez que de uma Cruz de Guerra também se tratava, a medalha Italiana Cruz ao Valor de Guerra.
Era grande o apreço que tinha o Sr Marechal pela MCG; são muitas as photografias onde o podemos ver fazendo uso apenas da nossa Medalha da Cruz de Guerra.
Este Uniforme e esta combinação de condecorações é exactamente a mesma que envergará a quando da sua partida para o exilio ainda em 1926.
A imagem que encerra o texto, ilustra de forma magnifica as palavras deixadas por Manuel Gomes da Costa; tirada antes da sua partida para Lisboa após lhe ter sido retirado o comando do CEP, fez questão de premiar com a MCG os que por valentia cravaram no solo da Flandres o nome de Portugal. Ao acto de solene e institucional seguia-se o acto humano de fraternidade e reconhecimento que só um abraço entre Camaradas transmite.
Já reparam por certo que é uma versão estilizada deste “instantâneo do front português” que há largos meses serve de fundo a este vosso Blog.
A morte, encaram-na de frente e rindo, e em cada minuto da vida de trincheira praticam actos de generosidade, desprendimento e heroísmo espontâneo, que na vida civil estabeleceriam reputação."
A imagem que abre este texto mostra o Sr. Marechal a uma secretária de despacho depois do Golpe de 17 de Junho de 1926, em uniforme de campanha, ostentando apenas e como era de sua maneira e costume e também de legislação, a Cruz de Guerra Portuguesa e curiosamente, pela mesma medida uma vez que de uma Cruz de Guerra também se tratava, a medalha Italiana Cruz ao Valor de Guerra.
Era grande o apreço que tinha o Sr Marechal pela MCG; são muitas as photografias onde o podemos ver fazendo uso apenas da nossa Medalha da Cruz de Guerra.
Este Uniforme e esta combinação de condecorações é exactamente a mesma que envergará a quando da sua partida para o exilio ainda em 1926.
A imagem que encerra o texto, ilustra de forma magnifica as palavras deixadas por Manuel Gomes da Costa; tirada antes da sua partida para Lisboa após lhe ter sido retirado o comando do CEP, fez questão de premiar com a MCG os que por valentia cravaram no solo da Flandres o nome de Portugal. Ao acto de solene e institucional seguia-se o acto humano de fraternidade e reconhecimento que só um abraço entre Camaradas transmite.
Já reparam por certo que é uma versão estilizada deste “instantâneo do front português” que há largos meses serve de fundo a este vosso Blog.
domingo, 28 de julho de 2013
Capitão de Infantaria Cardoso de Azevedo; Herói da Cruz de Guerra
Aníbal Francisco Gonçalves Cardoso de Azevedo, nasceu na Freguesia de Sacramento em Lisboa na zona do Chiado a 1 de Setembro de 1892. Era filho de Francisco Cardoso de Azevedo e de sua esposa Sr.ª D. Emilia Maria Gonçalves.
Em França aos 25 anos como Alferes do BI 14 de Viseu, irá tornar-se um dos mais destacados e respeitados oficiais ao serviço do CEP.
Imortalizou o seu nome nas páginas da História de Portugal quando já como Tenente, comandou o 1º Pelotão da 1ª Companhia do BI14 sob as ordens do Capitão Vale de Andrade, no Raid de 19 de Março de 1917 sobre as linhas Germânicas no Sector Português de Neuve Chapelle.
Relatam memórias que foi o primeiro Português a por as botas em trincheira inimiga naquela noite, e aquele que mais longe foi tendo atingido a linha de retaguarda inimiga.
Por actos de bravura semelhantes foi um dos militares Portugueses mais condecorados na Flandres tendo sido promovido a Capitão de Infantaria e posto como adido ao Estado-Maior do CEP.
O seu valor enquanto Militar não lhe foi só reconhecido pelos seus camaradas de trincheira. Da sua caderneta militar constam duas Medalhas da Cruz de Guerra de 2ª Classe, uma Medalha de Prata classe Valor Militar, Cruz de Cavaleiro da Ordem de Cristo com Palma, Medalha de Prata de Comportamento Exemplar, Medalha das Campanhas do Exército Português cm Legenda “França 17-18”,Medalha Inter-Aliada da Vitória, cavaleiro da Legião de Honra da Republica Francesa e por fim a muito prestigiada Military Cross (Cruz Militar) do Reino Unido. Todas estas condecorações podem ser vistas na magnifica photografia que acompanha este texto.
De notar a fita da Medalha da Cruz de Guerra; muito mais larga até que a fita de sete raios verdes. Poderá indicar uma fita não regulamentar desconhecida ou ser a fita da Croix de Guerre Francesa. Notar também as duas miniaturas de classe na mesma fita embora muito afastadas.
Desempenhou em Timor cargos de chefia militar e administrativa em Manatulo e Lantem e na Metrópole foi o segundo Comandante do Corpo de policia Cívica de Lisboa, antecessora da PSP.
Monárquico convicto não se coibiu de servir a Pátria Republicana quando ela mais precisou.
Virá a falecer aos 34 anos a 15 de Outubro de 1926.
Fica a promessa de aqui trazer os louvores das duas Medalhas da Cruz de Guerra.
Photografia em: http://www.geni.com/people/An%C3%ADbal-Francisco-Gon%C3%A7alves-Cardoso-de-Azevedo/6000000016227585287
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Furriel Pára-quedista João Caria Ramos; Heroi da Cruz de Guerra
Furriel Pára-quedista João Caria Ramos, Medalha da Cruz de Guerra de 3ª Classe; Pedrógão de São Pedro, Penamacor 15 de Outubro de 1942/ Angola 10 de Julho de 1968.
Foi como voluntário que aos 19 anos a 26 de Outubro de 1961 incorporou o Regimento de Caçadores Paraquedistas em Tancos, tendo merecido o Brevet nº 1793 após ter frequentado o 19ª curso de pára-quedismo militar.
Em 1963 tira o curso de Primeiros Socorros e parte em Junho desse ano para a Província Ultramarina de Angola para cumprir a sua primeira comissão de serviço junto do 21º Batalhão de Caçadores Paraquedistas. A 18 de Novembro de 1965 é promovido a Furriel paraquedista.
A 29 de Novembro de 1967, ano em que tirou o Curso de Transporte Aéreo e Lançamento de Material, é recolocado no BCP 21, unidade na qual cumpriu a sua primeira comissão de serviço.
Aos 25 anos é morto em combate na Província de Angola a 10 de Julho de 1968.
“Por Portaria De 21 de Outubro de 1968
Condecorado com a Medalha da Cruz de Guerra de 3ª Classe, a titulo póstumo o furriel pára-quedista João Caria Ramos, ao tempo do CBP 21 por ter sido considerado nas condições expressas nos art.ªs 9º e 10º e seus parágrafos 1º e 4º do Regulamento da Medalha Militar aprovado pelo Decreto 33667 de 28MAI46.”
“Ordem à Aeronáutica nº32
3ª série 20 de Novembro de 1968
Considerado como dado pelo SEA, o louvor a titulo póstumo concedido ao furriel paraq. João Caria Ramos, ao tempo do BCP 21, publicado na OS nº100 de 19AGO68, do C.º 2.ª RA.
Pelo valor e serenidade que sempre demonstrou em missões de combate no comando da sua secção.
A profundidade dos seus conhecimentos militares e o exemplo permanente foram sempre motivos de admiração.
Na ultima missão em que tomou parte, pois nela pereceria quando seguia à frente da sua secção, revelou, além daquelas qualidades, astuciosos e sensatos processos de combate que permitiram à rede de emboscada, que esteve a seu cargo, um alto rendimento capturando alguns elementos adversos.
O furriel para-qedista Caria Ramos doou a vida pela pátria e nós nunca esqueceremos o seu sacrifício”
Em Março de 2011 a Junta de Freguesia de Vale da Senhora da Póvoa em Penamacor prestou publica homenagem aos filhos da terra que tombaram em combate na defesa de Portugal. João Caria Ramos não foi, nem será esquecido pelas suas gentes, pela sua terra ou pela sua Pátria.
Nunca por vencido se conheceu!
O 21º Batalhão de Caçadores Pára-quedistas (BCP21) criado pela Portaria nº18464 de 8MAI61 é o primeiro Batalhão de Caçadores Pára-quedistas a ser enviado para a Africa Portuguesa.
Do seu estandarte pende a Medalha de Valor Militar grau Ouro com Palma, e por ele deram a vida 47 Portugueses Imortais.
Do seu brilhante role de feitos e virtudes cívico-militares contamos quase uma centena de Medalhas da Cruz de Guerra nas suas quatro classes.
Pelos que caíram em nome de Portugal, pelos que mereceram a Medalha da Cruz de Guerra, e por todos quantos palmilharam Africa desde o século XVI, escolhemos João e a sua Cruz de Guerra de 3ª Classe para que nos lembrarmos dos feitos do BCP21.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Uma peça curiosa; medalha da Cruz de Guerra 1946/49
Bem sabemos como se faz uma condecoração; é gravado um cunho de Aço em duas partes, anverso e reverso que encaixados por um balancé e batendo sobre metal mais macio criam uma medalha ou condecoração. De forma simples podemos descrever o processo como sendo o mesmo da produção de moeda.
O cunho que deu origem a esta específica variante da MDG (em baixo à direita) foi gravado há largas décadas por um gravador da Casa da Moeda para uma famosa casa de condecorações em Lisboa. Sobre isto e sobre a magnifica qualidade da escultura e gravação do original não temos qualquer duvida.
O intrigante nesta peça é o facto de ter sido feita não por cunhagem mas por fundição (em baixo à esquerda), á qual por manifesta má qualidade dos detalhes resultantes do processo, se soldou um escudo nacional de maior detalhe mas em muito, diferente do desenho original.
E é aqui que se levantam muitas e sérias duvidas sobre esta condecoração.
Conhecemos agraciados com a MCG igual a apresentada, portanto já na década de 60/70/80 estas peças circulavam, por vezes sem a adição do escudo.
Conhecemos também, noutras colecções outros exemplares iguais (com e sem escudo) variando o metal em que foram fundidas e a classe que representam.
Descartamos por isso a hipótese de cópia moderna. Mas não a hipótese de cópia antiga.
Sem qualquer prova disto, pensei por breves instantes, tratar-se de uma produção local (Ultramarina) partindo de uma peça original, para condecorar mais militares dos que os previstos a quando da encomenda de condecorações feita à Metrópole.
Poderá esta ser ainda uma cópia da original, feita por uma casa de revenda de condecorações que não tendo um modelo gravado da MCG de 46/49, optou por copiar uma da concorrência.
Nos vários modelos dela conhecida, a fita raramente é igual e as miniaturas de classe variam por quase todos os modelos que delas conhecemos. O que pode indicar que foram montadas com sobras e de forma apressada, dando, em minha opinião, alguma credibilidade à ideia de produção local.
Uma bonita e interessante Medalha da Cruz de Guerra de 3ª classe 46/49 que foi a leilão em Nova-Iorque num lote de proveniência Alemã.
Em aliança com um bom Amigo, lá a conseguimos resgatar e trazê-la para donde nunca devia ter saído, Portugal. Para além desta Cruz de Guerra destacava-se uma belíssima Medalha de Valor Militar do mesmo modelo 46/49, entre outras, sem que tenhamos conseguido apurar se pertenceram ao mesmo agraciado. Mas o mais consciente e realista, será por certo afirmar que não têm qualquer ligação entre si.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
95 anos da Batalha de La Lys.
Aos homens que há precisamente 95 anos, nesta mesma madrugada descobriam o significado da palavra coragem.
Aos Portugueses mortos, mutilados, capturados, e vitoriosos da Batalhha de La Lys.
Viva Portugal!
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